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Os custos escondidos das companhias low cost (e como não os pagar)

Bagagem, lugar, check-in no aeroporto, alteração de nome, taxas de cartão, conversão de moeda e ofertas no pagamento: onde se esconde o preço real de um voo low cost e como o evitar.

Atualizada a 18 de setembro de 2026

Dois passaportes com os cartões de embarque pousados num portátil
Foto: Oxana Melis · Unsplash

Em resumo

  • O preço de um voo low cost inclui normalmente o teu lugar no avião e uma mala pequena. Quase tudo o resto é um extra, e os extras ficam mais baratos se os comprares online durante a reserva.
  • As taxas mais caras nascem de um esquecimento: check-in não feito online, mala de cabine não paga levada à porta de embarque, nome mal escrito no bilhete.
  • Na União Europeia as companhias têm de te mostrar o preço final com taxas e encargos inevitáveis, e os extras opcionais não podem vir pré-selecionados. Mas ler o resumo continua a ser tarefa tua.
  • No pagamento, atenção a duas armadilhas: pagar na tua própria moeda e as ofertas de seguro, aluguer de carro e hotel.

1. Bagagem: o extra que mais pesa

Uma mala aberta a ser preparada, com uma máquina fotográfica e óculos de sol
Foto: Anete Lūsiņa · Unsplash

A bagagem é quase sempre o extra mais caro, e o preço muda com a rota, a data e o momento da compra. Medidas, pesos e regras de cada companhia estão no nosso guia da bagagem de mão low cost: aqui vemos como não pagar demais.

  • Não confies no preço «a partir de»: um estudo da organização de consumidores britânica Which? sobre quase 1500 preços da Ryanair, easyJet e Wizz Air encontrou a tarifa mínima anunciada para a bagagem de mão menos de 1% das vezes. Vê o preço no teu voo.
  • Compra-a cedo, online: no aeroporto custa mais. Na easyJet, uma mala de porão não reservada custa 70 euros (60 libras) no balcão de entrega, e o mesmo valor é cobrado na porta de embarque por uma mala de cabine grande não reservada (em setembro de 2026, confirma antes de reservar).
  • Compara embarque prioritário e porão: às vezes uma mala de porão pequena custa menos do que o embarque prioritário com a mala de cabine.
  • Conta ida e volta: a bagagem paga-se por trajeto, por isso duplica o preço antes de comparar dois voos.

2. O lugar

Escolher o lugar é quase sempre pago, mas não és obrigado a fazê-lo: se saltares esse passo, recebes um lugar gratuito no check-in. O preço do lugar muda com a procura, a rota e a data.

  • Viajas a dois ou com amigos? Pergunta-te se uma ou duas horas lado a lado valem o suplemento, para cada um e em cada trajeto.
  • Viajas com crianças? Lê a política para famílias. Na Ryanair, por exemplo, mesmo com a atribuição aleatória gratuita, as crianças dos 2 aos 11 anos ficam sentadas ao lado de um adulto da mesma reserva.
  • Atenção aos prazos: sem lugar pago, na Ryanair o check-in online só abre 24 horas antes e fecha 2 horas antes da partida. Põe um lembrete.

3. Check-in e cartão de embarque

É a despesa mais fácil de evitar, e uma das mais caras se te esqueceres.

  • Faz sempre o check-in online: na Ryanair, quem chega ao aeroporto sem o ter feito paga o check-in no balcão, 55 euros (ou 55 libras) por pessoa segundo o centro de ajuda da companhia (em setembro de 2026, confirma antes de reservar).
  • Guarda o cartão de embarque na app: a Ryanair diz que não cobra a reemissão do cartão de embarque a quem já fez o check-in online.
  • Vê a que horas fecham os balcões: na Ryanair, a partir de 10 de novembro de 2026, o check-in e a entrega de bagagem no aeroporto fecham 60 minutos antes da partida em vez de 40.
  • Documentos e vistos: se a companhia te pedir para os verificar na app, fá-lo antes de o check-in online fechar.

4. Mudar o nome ou a data

As tarifas base das low cost não são reembolsáveis e cada alteração tem um custo, normalmente por passageiro e por trajeto, mais a eventual diferença de preço.

  • Confirma os nomes antes de pagar: têm de ser iguais aos do documento. Na easyJet corrigir um erro de escrita é gratuito, mas trocar completamente de passageiro custa 73 euros (60 libras) online (em setembro de 2026, confirma antes de reservar).
  • Aproveita as primeiras 24 horas: a Ryanair permite corrigir sem custos pequenos erros de data e hora nas 24 horas seguintes à reserva, pagando só a eventual diferença de tarifa.
  • Se o novo voo for mais barato, não te devolvem a diferença: é a regra da Ryanair, e convém lembrá-la antes de alterar.
  • Evita o telefone e os balcões: as mesmas alterações costumam custar mais por telefone. A Wizz Air, por exemplo, soma uma taxa do centro de atendimento à taxa de alteração de nome.
  • Se já sabes que podes ter de mudar, pensa numa tarifa flexível: pode custar menos do que uma só alteração.

5. Bebés, material desportivo e instrumentos musicais

  • Bebés ao colo: não têm lugar, mas normalmente paga-se um suplemento fixo por trajeto. Na Ryanair podem levar uma mala para o bebé e dois artigos, como o carrinho e a cadeira auto, sem custos extra.
  • Material desportivo e instrumentos: bicicletas, esquis, pranchas e guitarras pagam-se à parte se não couberem na tua bagagem. Acrescenta-os online: na easyJet o mesmo material custa mais se o pagares no aeroporto.
  • Lê as regras antes: os objetos grandes vão no porão com limites de peso, e alguns não são aceites de todo, como as bicicletas elétricas na Ryanair.

6. Na hora de pagar

A página de pagamento é onde se acumulam as últimas surpresas. Eis o que deves ver.

  • Taxas de cartão: na União Europeia os vendedores, também online, em geral não te podem cobrar um suplemento por pagares com um cartão de crédito ou de débito de consumidor. A proibição não abrange cartões empresariais nem sistemas como American Express ou Diners, e fora da UE as regras são outras. A easyJet, por exemplo, diz que não cobra taxas de cartão.
  • Seguro, carro e hotel: na UE as caixas dos extras opcionais não podem vir assinaladas, mas as ofertas aparecem a cada passo. Se já tens um seguro de viagem, por exemplo anual ou associado ao cartão, não compres outro.
  • Reserva no site ou na app: reservas e alterações feitas no aeroporto ou por telefone podem ter custos de serviço adicionais.
  • Compara o total final com o de outras companhias, extras incluídos, antes de carregares em «pagar».

7. A conversão de moeda

Se voares para um país com outra moeda, ou se o site mostrar os preços numa moeda que não é a tua, pode aparecer a pergunta «quer pagar na sua moeda?». Chama-se conversão dinâmica de moeda (DCC) e costuma sair mais cara do que o câmbio do teu banco.

  • Escolhe a moeda local, ou a do preço indicado, em sites, terminais de pagamento e caixas automáticas: deixa o teu banco fazer a conversão.
  • Lê a margem: na UE quem oferece a conversão tem de indicar o custo como percentagem acima da taxa de referência do Banco Central Europeu.
  • Usa um cartão sem comissões no estrangeiro se viajas muitas vezes para fora da zona da tua moeda.

8. Depois de aterrar: transfers e aluguer de carro

Muitas low cost usam aeroportos secundários, às vezes longe da cidade. O voo mais barato pode tornar-se o mais caro se o autocarro ou o táxi custarem tanto como o bilhete, ou se aterrares a uma hora em que já não há transportes.

  • Antes de reservar, confirma como chegar ao centro, quanto custa e até que horas há transportes.
  • Aluguer de carro: lê a franquia, a caução e a política de combustível, e não te deixes convencer ao balcão a comprar seguros de que não precisas. O Centro Europeu do Consumidor dos Países Baixos aconselha a fotografar o carro, o nível de combustível e os quilómetros no levantamento e na devolução.

Para terminar

  1. Decide logo do que precisas e acrescenta-o online durante a reserva.
  2. Viaja leve e confirma medidas e regras no guia da bagagem de mão.
  3. Salta a escolha do lugar se não precisares, mas lembra-te do check-in online.
  4. Confirma nomes e datas antes de pagar.
  5. Paga com um cartão pessoal e na moeda local.
  6. Desmarca seguros e serviços de que não precisas.
  7. Faz as contas ao transfer a partir do aeroporto.

E para partires de um preço baixo, cria um alerta no FlyDown: avisa-te quando um voo desce abaixo do teu orçamento, e o que poupas gastas no destino.

Fontes

Os valores vêm das páginas oficiais abaixo, consultadas em setembro de 2026, e podem mudar: confirma sempre antes de reservar. O FlyDown não tem qualquer ligação às companhias citadas: as marcas pertencem aos respetivos titulares.